Reserva de emergência:

Saiba como começar e onde investir

por Francine Mendes

Reserva de emergência: saiba como começar e onde investir

Precisou quebrar o cofrinho, mas descobriu que a reserva de recursos sumiu ou nunca esteve disponível? Muita calma nessa hora, vamos ajudar você a estar mais preparada para as próximas oportunidades e incêndios econômicos.

O desemprego bateu à porta, você ou um familiar adoece ou o casamento que não deu certo, estes são apenas alguns exemplos de situações em que ter uma reserva financeira significa liberdade e segurança.

No Brasil, infelizmente apenas 22% da população têm alguma reserva de emergência e isso não é culpa dos governantes ou da economia, mas resultado de uma cultura muito imediatista e que não pensa em longo prazo. A boa notícia é que nunca é tarde para começar a construí-la.

A reserva de emergência deve ser suficiente para cobrir entre três e seis meses do seu custo de vida, mas se engana quem pensa que a reserva de emergência é exclusiva para problemas e infortúnios. Ela pode também ser usada para aproveitar oportunidades de investimento e negócios!

Em momentos de muitas incertezas, como o que vivemos com a pandemia do novo coronavírus, ter uma proteção financeira pode ser o melhor remédio para a sua ansiedade, noites mal dormidas e medos.

Capítulo 01

Comece aos poucos e com pequenas atitudes

Começar a montar uma reserva pode parecer uma tarefa impossível dependendo da saúde das suas finanças, mas lembre-se: grandes coisas são feitas de pequenas coisinhas. Quanto dinheiro você está disposta a perder por preguiça de começar ou por procrastinar sobre seu futuro e liberdade?

Esse e-book foi pensado para você que, assim como a maioria da população, ainda não tem uma reserva de emergência adequada às suas despesas e investida nos produtos corretos. Não basta só poupar todos os meses, onde você aloca os seus recursos é o que diferencia uma reserva de emergência de apenas mais uma aplicação financeira.

Não importa qual o momento da sua vida, o quanto você ganha, se tem emprego formal ou informal. A reserva é aquele seu porto seguro e cuidar dele deve ser sua prioridade financeira.

Capítulo 02

Mulheres sem reserva não têm liberdade de escolha!

Quantas vezes você ficou presa em situações e problemas que te tornavam infeliz por motivos financeiros? Se um filme passou na sua cabeça, é hora de reescrever esse roteiro.

Ser mulher é um privilégio, mas ninguém disse que seria fácil. Ainda temos muitas etapas para conquistar uma sociedade realmente igualitária, mas alguns passos, aqueles que dependem apenas de nós mesmas, não podem esperar por dias melhores.

Por isso, antes de te mostrar como construir a sua reserva de emergência, vou te contar algumas verdades sobre as mulheres no campo das finanças pessoais:

Essa lista poderia ser bem mais longa, mas o nosso objetivo aqui é apenas te lembrar o porquê você precisa estar no controle das suas finanças, planejar o seu futuro e valorizar o seu tempo e dinheiro. Motivos não nos faltam para buscar independência financeira e o primeiro passo é ter uma reserva de emergência!

Capítulo 03

Organize as finanças em três passos

Já falamos que a reserva de emergência deve cobrir entre três e seis meses do seu custo de vida, mas para conquistá-la e mantê-la, você precisará organizar a sua vida financeira. O ideal é que, todos os meses, 20% da sua renda seja destinada aos investimentos.

Não é possível começar com 20%? Então dê o primeiro passo com 5% ou com o que for possível, mas tenha em mente que para realizar seus sonhos e cuidar do seu futuro o alvo é conseguir guardar 20% todos os meses. Separe os recursos do investimento antes de pagar as contas. Se você guarda apenas o que sobra, prepare-se para viver desses restos no futuro.

Independente da sua idade, renda ou nível de endividamento, buscar autonomia e conhecimento sobre o seu dinheiro irão fazer a sua vida (e autoestima) melhor. A responsabilidade por construir uma vida financeira mais leve, estável e tranquila para o futuro também é exclusivamente tua.

1. Faça uma faxina nas suas finanças

Para mudar sua vida financeira, você deve começar identificando onde estão os problemas. O primeiro passo é analisar todos os seus gastos nos últimos seis meses. Confira os seus extratos do banco, faturas do cartão de crédito, etc.

Separe todas as despesas em três categorias: Essencial, Supérfluo e Desperdício.

Em Essencial, estará tudo aquilo que é fundamental para a sua sobrevivência, como moradia, alimentação e etc. Na categoria Supérfluo estão os itens de consumo opcionais, como ir ao restaurante, cinema e vestuário. Já em Desperdício serão incluídas todas as despesas que não lhe trazem nenhum benefício, como juros, taxas, compras de produtos que nunca foram usados, etc. Você verá que tem muito dinheiro indo pelo ralo e que poderia ser transformado em investimento no seu futuro.

2. De olho no cartão de crédito

O limite do seu cartão de crédito deve ser usado apenas se você tem o saldo disponível para pagamento. Comprar sem saber como vai pagar não deve ser uma opção. Por isso, cuidado com as compras online em momentos de ansiedade, tristeza e angústia.

Se você já está enrolada com o cartão, procure um empréstimo pessoal com juro menor que o do cartão de crédito e NUNCA, jamais, utilize a opção de pagamento mínimo.

3. Troque uma dívida ruim por uma dívida boa

Sair do endividamento não é fácil, mas é 100% possível com estratégia e disciplina. Procure por outras instituições financeiras e faça a portabilidade das suas dívidas, trocando juros altos por mais baixos. A portabilidade é um processo simples e pode ajudar a pagar as dívidas mais rápido. Lembre-se de que a taxa Selic despencou nos últimos anos e você pode encontrar taxas melhores.

Outra opção é buscar uma redução ou a suspensão temporária de pagamentos. Em tempos de crise, como o atual, essas alternativas podem te livrar do pagamento de juros por atraso.

Capítulo 04

Onde investir a reserva de emergência?

É possível tomar boas decisões de investimento e construir um patrimônio para o seu futuro, mas você vai precisar de um planejamento financeiro para conseguir ter uma reserva de emergência consistente.

Para construir sua reserva tenha em mente que o objetivo não é lucrar, mas garantir que os seus recursos possam ser acessados com rapidez e sem perdas financeiras (deságio) quando você precisar. Então, fica a dica, que a única Bolsa de Valores não é uma opção para a sua reserva.

Se esses recursos serão usados em momentos de imprevistos, eles precisam ter liquidez diária, ou seja, você precisa conseguir sacar o seu investimento com rapidez e sem perdas.

O recomendado é que você consiga resgatar o seu investimento em até um dia útil. Por isso, escolher a alocação correta é fundamental.

Capítulo 05

Poupança não é lugar para a sua reserva de emergência!

A rentabilidade da poupança segue perdendo para a inflação no Brasil, ou seja, o seu dinheiro depositado na poupança está sem proteção, perdendo valor todos os dias. Logo, se você não quer perder dinheiro, esse não é o lugar para as suas economias.

Existe um mito de que a poupança é o investimento mais seguro do mercado. Na realidade, a única garantia da poupança é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a mesma cobertura que encontramos nos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e outros investimentos de renda fixa, com a diferença que eles podem remunerar muito mais que a caderneta.

Os títulos do Tesouro Direto são os investimentos mais seguros do mercado – mais seguros que a poupança – porque têm garantia do Tesouro Nacional, mas nem todo título público serve para a sua reserva. Nesse caso, o único que irá te ajudar a ter uma proteção financeira com liquidez diária é o Tesouro Selic.

Além da alta liquidez, o Tesouro Selic é isento de taxa de custódia pela B3 nas aplicações até R$ 10 mil. E lembre-se, independente do patamar da Selic, o objetivo com a reserva de emergência não é o lucro e sim garantir o acesso aos seus recursos com rapidez para imprevistos e oportunidades.

Os CDBs de liquidez diária são também uma excelente opção para a sua reserva. Esse tipo de investimento irá sempre render um percentual da taxa DI e, com liquidez diária, você não será penalizada com deságio quando precisar do seu dinheiro.

Infelizmente, ao procurar CDBs para investir você irá perceber que os bancos, em geral, oferecem CDBs com rentabilidade menor do que os produtos disponíveis nas corretoras de valores. Isso porque o banco irá oferecer apenas o CDB próprio, enquanto nas corretoras você tem acesso a produtos de vários bancos diferentes. Logo, nas corretoras você pode comparar inúmeros CDBs e escolher a melhor opção para você.

Os fundos DI também são outra possibilidade de investimento para a sua reserva, mas antes de entrar em um fundo, sempre verifique a sua carteira (produtos que o fundo investe) e a taxa de administração cobrada. Fique atento às taxas praticadas pelos fundos e compare-as antes de tomar uma decisão.

Agora que você já sabe quais opções são indicadas para a reserva de emergência, vamos começar a investir o seu dinheiro e abrir caminho para mais segurança nas finanças e independência na vida.

Capítulo 06

Contas na ponta do lápis

Depois de colocar no papel todas as suas despesas e identificar qual o seu custo de vida mensal, é chegada a hora de descobrir o quanto você precisa poupar para garantir a sua reserva de emergência. Acredite: existem fundos em que você pode começar com R$ 10,00.

Vamos ao exemplo:

Se seu custo de vida mensal é de R$ 5.000,00, será necessário dispor de R$ 1.000,00 para investir todos os meses, o que corresponde a 20% do seu custo de vida.

Está muito difícil começar com esse valor? Então dê o primeiro passo com 5%, ou seja, R$ 250,00. Pequenas atitudes fazem grande diferença! Invista todos os meses, até que esse montante chegue em R$ 15.000,00, o equivalente para cobrir as suas despesas por três meses.

Coloque as suas aplicações sempre no mesmo produto até que a sua reserva esteja completa. Apenas depois disso, você poderá pensar em outros investimentos.

No Tesouro Selic é possível começar com quantias em torno dos R$ 110,00.

Capítulo 07

Para não esquecer!

Investir é simples e se reeducar financeiramente pode até dar um pouco de trabalho no começo, mas com novos hábitos tornando-se rotina, você verá que dá para fazer o dinheiro sobrar e, ainda, render.

A reserva de emergência é só o primeiro passo para quem quer cuidar das finanças de forma consciente e responsável. Não adianta empurrar os problemas para o “você do amanhã”, nem se lamentar pelas coisas que poderiam ter sido diferentes. Cabe exclusivamente a você mudar o rumo da sua financeira.

Mais importante do que só economizar é colocar a sua reserva de emergência em ativos de liquidez diária, ou seja, investimentos em que você possa sacar seu dinheiro quando precisar e sem perdas. Logo, não dá para alocar a reserva financeira na bolsa de valores, na compra de um imóvel, na poupança ou na previdência privada. Nenhuma dessas opções irá te trazer segurança, proteger o seu patrimônio e ajudar em uma situação de emergência.

Lembre-se que, para além das crises, a reserva pode ser usada para as oportunidades que a vida trouxer. E a vida também pode ser muito boa quando estamos preparados para aproveitá-la.

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Francine Mendes é fundadora e CEO da plataforma de conteúdo, educação e marketplace Elas Que Lucrem (EQL). Economista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e especialista em educação financeira para mulheres, Francine possui mestrado em Psicanálise do Consumo pela Universidad Kennedy, referência em psicanálise na América Latina, e também é fundadora do primeiro clube de investimentos para mulheres de Santa Catarina, o EllaInvest. Atuou como assessora de investimentos entre 2005 e 2011 na Premium Invest e foi presidente do Instituto de Educação Financeira Premium Educação, de 2008 a 2010.

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