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Guia da Renda Fixa

por Francine Mendes

Seja bem-vinda ao Guia da Renda Fixa

Construir uma carteira de investimentos capaz de garantir liberdade financeira no médio e longo prazo é como uma trilha: cheia de obstáculos e só pode ser feita com um passo de cada vez. Não existem soluções rápidas.

Independência financeira não é sinônimo de riqueza, mas significa que você teve disciplina o bastante para perseguir os seus sonhos e usou o seu dinheiro para alcançá-los. Por isso, a renda fixa ainda é a parada obrigatória na trilha para a sua independência financeira.

Seja em tempos de juros baixos ou de juros altos, a renda fixa é um importante instrumento para proteger e rentabilizar seus investimentos em meio à instabilidade econômica. Por isso, preparei um manual para você entender de forma simples as mais variadas oportunidades disponíveis de valorizar os seus investimentos do jeito mais seguro e eficiente possível.

Manter a disciplina nas finanças é etapa fundamental para quem quer atravessar a trilha da independência financeira. Por isso, eu comparo o processo de investir ao de emagrecer: não adianta contratar o melhor personal trainer se você não controlar a alimentação. Nas finanças, a fórmula é gastar menos do que se ganha e investir corretamente todos os meses. Eu gosto de respeitar a proporção: 20% reserva de emergência, 40% renda fixa e 40% renda variável.

A proporção ideal da sua carteira de ativos não é obtida do dia para a noite. Investir e desinvestir aos poucos, com regularidade e paciência, são regras fundamentais nessa jornada.

A trilha da independência financeira pode ser mais fácil com as ferramentas certas, mas investir é um ato individual, e a ferramenta perfeita para mim pode não ser a melhor para você.

Por isso, este e-book vai ajudar a entender como definir os seus objetivos com os investimentos – e a respectiva escolha dos melhores ativos para conquistá-los – é crucial para manter o foco na hora de colocar o seu dinheiro para trabalhar pelos seus sonhos.

Você pode até não ficar rico apenas investindo, mas certamente terá conquistas, noites de sono mais tranquilas e ganhará tempo para ficar com as pessoas que são importantes na sua vida quando o dinheiro deixar de ser um problema para ser parte da solução.

Boa leitura!

Capítulo 01

Comece aos poucos e com pequenas atitudes

Acompanhar o cenário e as perspectivas para a economia nacional – e global – são hábitos fundamentais para tomar decisões de investimentos adequadas às suas aspirações de vida. Dito isso, vamos entender como a taxa Selic e a inflação podem impactar a sua carteira de ativos.

A Selic é a taxa mãe da economia, ela é usada pelo governo como uma ferramenta de controle da inflação e estímulo econômico. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central é quem determina a meta da taxa Selic em reuniões que acontecem a cada 45 dias.

Na prática, a Selic é a taxa pela qual o governo remunera o dinheiro que pega emprestado do mercado, além de ser a referência para todas as demais taxas praticadas no país: dos juros do cartão de crédito aos investimentos.

O raciocínio para entender como a taxa Selic impacta a economia é simples: a Selic baixa favorece a tomada de crédito (as pessoas /empresas pegam mais dinheiro emprestado), já que os juros ficam mais baixos. Com mais dinheiro circulando, o consumo da população aumenta e a economia é aquecida.

Já a Selic alta eleva também os juros para o crédito, diminuindo, consequentemente, a circulação de dinheiro e o consumo das pessoas, contribuindo para baixar a inflação (as pessoas e empresas preferem deixar o dinheiro parado recebendo altos juros a colocá-lo na economia real).

Selic baixa> Aumenta a procura por crédito e aquece a economia
Selic alta> Diminui a procura por crédito e ajuda a controlar a inflação

Assim, a taxa Selic é um instrumento do Banco Central para estimular a economia e controlar a inflação.

Apenas para se ter uma ideia, em 2016, a taxa era de 14,25% ao ano (a.a.) e, em agosto de 2020, era de 2,00% a.a. Uma diferença considerável e que impacta diretamente os investimentos com rentabilidade atrelada à Selic. E quais são esses investimentos? Todos que rendem um percentual (%) do CDI são vinculados à Selic.

Atenção: a taxa Selic alta aumenta os juros da dívida pública e inibe investimentos na economia, já que o governo precisa gastar com custeio da máquina administrativa em detrimento de fomentar o investimento em infraestrutura, saúde, educação e itens para gerar, de fato, aumento de produtividade e crescimento no nível de renda e emprego. É fundamental uma taxa de juros baixa para promover desenvolvimento social, econômico e cultural.

Capítulo 02

Como funciona o CDI?

Os bancos não podem encerrar suas operações diárias com saldo negativo em conta. Há bancos que recebem mais saques, outros, mais depósitos e, ao fim do dia, o banco que recebeu mais dinheiro empresta para o que ficou negativo ou financia sua posição de títulos públicos com o Banco Central (BC), recebendo ou pagando a taxa Selic (overnight).

Essa é uma exigência do BC para garantir liquidez ao sistema bancário nacional. Assim, para atender a essa determinação, os bancos emprestam dinheiro entre si diariamente e praticam uma taxa de juros para remunerar esses empréstimos. Cada um desses empréstimos resulta na emissão de um Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

A média de todas essas operações (CDIs emitidos) entre os bancos é usada para calcular a taxa DI. O CDI sempre acompanha a Selic, e ambos têm rendimento praticamente semelhante. Se a Selic sobe, o CDI sobe. Se a Selic cai, o CDI também cai. Você pode verificar a rentabilidade acumulada do CDI usando esse simulador de investimentos.

Capítulo 03

O que é renda fixa?

O benefício mais interessante da renda fixa (RF) é o poder do juro composto, algo pelo qual todos deveriam se apaixonar: juro sobre juro todos os meses até o fim do prazo acordado.

Por isso, a renda fixa (RF) é o alicerce do seu patrimônio. Nela, o seu investimento, neste caso um título de crédito, irá render juros sobre o produto em que você escolheu investir. Para entender o que é a renda fixa e sua diferença em relação à renda variável, pense em uma imobiliária que negocia a venda e o aluguel de propriedades.

A operação de compra e venda de um imóvel pode ser comparada com a negociação de ações na renda variável: você compra ou vende um ativo com lucro ou prejuízo. Na imobiliária, esse ativo é um imóvel, na renda variável pode ser, por exemplo, uma ação ou cota em fundo de investimento.

Já o recebimento de recursos pelo aluguel de um imóvel pode ser comparado ao recebimento de juros na renda fixa. Você investe no bem (no caso da renda fixa um título) e recebe um aluguel (juros) por isso.

Em tese, a renda fixa nada mais é do que o aluguel do dinheiro. Você investe em produtos financeiros e tem a clara ideia de quanto vai receber no vencimento do contrato, ou seja, você aluga um produto, como se tivesse um imóvel e o alugasse a alguém, recebe os aluguéis (juros) pelo seu dinheiro, preserva o capital e ainda fomenta a economia do país.

Capítulo 04

Por que a renda fixa é melhor que a poupança?

Apesar de ainda muito popular entre os brasileiros, a poupança está longe de trazer segurança e proteção para o seu dinheiro. E vou explicar o porquê: existem duas formas de remuneração da poupança no Brasil, poupança nova e poupança antiga, e a nova equivale a todos os depósitos realizados a partir de 4 de maio de 2012.

Poupança antiga

Rentabilidade fixa: 0,5% ao mês + taxa Referencial (TR)

Poupança nova

Quando a taxa Selic é igual ou inferior a 8,5%, a rentabilidade é de 70% da Selic + a taxa Referencial (TR);

Quando a taxa Selic é superior a 8,5%, a poupança paga 0,5% ao mês + a taxa Referencial (TR).

Logo, pela nova regra, os depósitos na poupança nova rendem TR + 70% da taxa Selic. Atualmente, a TR é igual a zero e a Selic, 5,25% ao ano. Assim:

TR (0) + 70% de 5,25% = 3,67% ao ano, ou 0,30% ao mês

O cálculo acima mostra que a poupança, atualmente, rende menos que a inflação, que já é projetada em quase 8% para 2021, de acordo com perspectivas do Banco Central.

Portanto, os investimentos na poupança nova estão sendo “comidos” pela inflação na medida em que o dinheiro aplicado perde poder de compra. Definitivamente, essa não deve ser uma opção para o seu dinheiro. Além disso, você fica refém do ato de poupar e não investir, e essa não é uma estratégia inteligente para quem busca independência financeira.

Os rendimentos da caderneta de poupança não pagam Imposto de Renda, mas essa vantagem é anulada pelo rendimento atual da caderneta.

As aplicações contam apenas com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que é limitado a R$ 250 mil por instituição financeira.

IMPORTANTE: a poupança não é garantida pelo governo. É um investimento atrelado à instituição financeira, e a garantia está submetida ao FGC.

Capítulo 05

Produtos e garantias na renda fixa

Certamente, considerar a segurança e o risco de cada decisão de investimento é uma questão-chave para o investidor. Existe um mito de que a poupança é o produto mais seguro do mercado. Não é. Culturalmente, a queridinha dos brasileiros nos foi vendida assim. Porém, a garantia está atrelada sempre aos produtos. Sim, há outros produtos com a mesma segurança da poupança (uns até mais seguros), e os veremos a seguir.

Na renda fixa, existe um universo de produtos com características e garantias distintas. Entender as diferenças entre cada emissor de um título de crédito e garantias oferecidas é fundamental, porque esses fatores têm relação com os riscos que você toma ao emprestar dinheiro, seja para o governo, para uma instituição financeira, empresa ou securitizadora.

Produtos

Títulos Públicos (Tesouro Direto)

Certificado de Depósito Bancário (CDB), Recibo de Depósito Bancário (RDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Letra de Câmbio (LC), Letra Financeira (LF) e Letra Hipotecária (LH)

Debêntures, Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). A garantia é fornecida pelo sacado, e não pelo cedente.

Tipos de garantias

Garantia do Tesouro Nacional
(mais seguro que a poupança)

Garantia do Fundo Garantidor de Créditos Produtos bancarizados (FGC)

Garantia do Emissor

Produtos desbancarizados

Outras garantias

Funcionamento das garantias

100% dos recursos aplicados têm garantia soberana do governo federal

Garantia de cobertura de até R$ 250 mil por CPF em até quatro instituições financeiras, com limite de R$ 1 milhão

Para as debêntures, as garantias são registradas em cartório e fornecidas pela empresa emissora do título. Já para os CRIs e CRAs, as garantias são fornecidas pelos tomadores de crédito e podem ser imóveis, maquinário ou produtos agrícolas que sejam objetos da operação de empréstimo.

Garantias reais, avais e fianças fornecidas pelo emissor do título. Ou seja, estão atreladas ao lastro de recebíveis e dependem da capacidade de pagamento desses recebíveis.

Todos esses produtos são títulos de crédito, ou seja, representam uma obrigação de pagamento. Você empresta dinheiro para o banco, governo ou outro emissor (empresas ou securitizadoras) e, em troca, a instituição emite um documento reconhecendo que irá lhe devolver esse dinheiro em uma determinada data, pagando pelo empréstimo uma taxa de juros previamente combinada. Uma espécie de aluguel. Você “aluga” o produto e recebe juros por isso. No prazo acordado com as instituições e/ou empresas, você recebe seu dinheiro de volta e corrigido.

Os recursos captados (dinheiro que pessoas como eu e você investem) são usados para financiar as operações dessas instituições e podem fomentar áreas específicas da economia, como o mercado imobiliário ou o agronegócio.

Capítulo 06

Garantias x Riscos

Os títulos do Tesouro Direto são os produtos de renda fixa mais seguros do mercado. Se o Tesouro Nacional falhar no pagamento é porque o sistema bancário do país quebrou muito antes. Não precisa ter medo de investir em títulos do Tesouro, mas é preciso saber aonde se quer chegar com o investimento para escolher as aplicações certas para o seu dinheiro.

Embora os títulos públicos sejam os mais seguros e a referência do mercado (benchmark), isso não significa que os demais títulos da renda fixa sejam muito arriscados. Eles só oferecem mais riscos do que o Tesouro Direto e, por isso, também oferecem melhor remuneração pelo dinheiro investido.

Os títulos privados (os bancarizados), por exemplo, contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Criado em 1995, o FGC é uma entidade privada sem fins lucrativos integrante da rede de proteção do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Seu objetivo é proteger depositantes e investidores, além de contribuir para a estabilidade do SFN e prevenir uma crise bancária sistêmica.

Assim, se você possui até R$ 250 mil aplicados (em até quatro instituições financeiras e respeitando o limite de R$ 1 milhão), o FGC devolve o seu dinheiro caso o emissor não pague. Essa camada de segurança dá liberdade para escolher ativos de bancos menores, que possuem maior risco de crédito e, logo, irão lhe pagar uma taxa de juros melhor.

Você não precisa ter medo de investir em produtos da renda fixa por não conhecer o banco ou outro emissor. A concentração bancária no Brasil é uma das maiores do mundo e, por isso, talvez você nunca tenha ouvido falar sobre 90% dos bancos ou instituições financeiras que existem no país.

Já os títulos de crédito privado (desbancarizados) têm garantia do emissor e possuem risco atrelado à capacidade financeira dessas companhias, que pode ser afetado por questões de natureza política, econômica e pelo contexto do setor em que atuam.

No caso dos CRIs e CRAs, o risco de crédito não está vinculado à securitizadora, mas sim aos tomadores de crédito, pessoas que financiaram operações relacionadas ao setor imobiliário ou ao agronegócio. Nesses casos, os imóveis, o maquinário ou os produtos agrícolas objetos da operação podem ser as garantias do empréstimo. Como possuem mais riscos, os títulos de crédito privado, em geral, oferecem rentabilidade maior do que os outros títulos da renda fixa.

Já os FIDCs são fundos que adquirem direitos creditórios (obrigações de pagamento) de fornecedores (cedentes) de médias ou grandes empresas (sacados), antecipando o pagamento desses recebíveis.

Ao adquirir direitos creditórios de fornecedores, os FIDCs passam a ser os “donos” dessas dívidas. O risco para quem investe em FIDCs está na possibilidade de a empresa (sacado) que utilizou os serviços ou produtos dos fornecedores não cumprir com o pagamento das obrigações.

Capítulo 07

Os riscos e as oportunidades

Mostramos acima como funciona o risco de crédito (possibilidade de calote) e como as garantias o protegem dessas situações, mas existem ainda outros riscos que afetam os seus investimentos, e nem sempre podemos ter controle sobre eles. Um bom exemplo é o risco de mercado.

O risco de mercado está diretamente atrelado à possibilidade de mudanças na política monetária, na inflação, na taxa de juros e em outros indexadores da economia. Logo, é algo que pode afetar diretamente a rentabilidade dos seus investimentos, embora não tenhamos controle sobre esses fatores.

Quanto mais tempo o seu dinheiro ficar investido, maior será sua exposição aos riscos de mercado e, portanto, maior deverá ser a rentabilidade que você, como investidora, irá exigir para aplicar o seu dinheiro.

Existe também o risco de liquidez, que diz respeito às chances de você tentar vender o título antes do vencimento e não encontrar compradores. Em geral, esse risco é maior em títulos com vencimentos mais longos ou “exóticos”. No risco de liquidez, você pode não encontrar compradores, ou apenas, compradores pagando um preço muito abaixo (deságio) do valor do papel.

Mas há riscos que quando tomados de forma consciente e planejada nos colocam mais perto dos nossos objetivos financeiros. São os riscos de oportunidade.

No Brasil, existe uma cultura inflacionária e, por isso, foram criados produtos com rentabilidade híbrida (prefixado + pós-fixado) que oferecem proteção contra a inflação e ainda pagam uma taxa de juros fixa, vou explicar mais sobre essas formas de rentabilidade ainda neste e-book.

A boa notícia é que você não precisa sempre escolher os títulos híbridos por medo do que pode acontecer com a inflação amanhã (risco de mercado). Adaptar a estratégia a produtos de curto prazo e aproveitar opções de boa rentabilidade é o que chamo de risco de oportunidade. Vou explicar melhor como isso funciona na prática:

A) Imagine que você investiu em um título com remuneração prefixada em 6% a.a. e vencimento para 1.800 dias;

B) Se, nesse período (1.800 dias), a inflação ficar acima ou muito próxima de 6% a.a., significa que você perdeu dinheiro ou que a sua rentabilidade foi muito baixa, já que o investimento rendeu menos ou empatou com a inflação do mesmo período;

C) Nesse caso, você pode vender o seu título antes do prazo de vencimento. As condições desta venda, no entanto, irão depender do mercado. Como assim?

Existe a possibilidade de você negociar (vender) o seu título de forma antecipada no mercado secundário, mas nesta venda você pode ter lucros ou perdas, por isso é preciso bastante atenção.

Caso escolha vender o seu título de forma antecipada (antes do vencimento), você corre o risco de ter um deságio (perda) se o preço de negociação estiver abaixo do que foi pago inicialmente. No entanto, apesar da possibilidade de perda na venda, você aproveitou, por um período, a rentabilidade de 6% a.a. que utilizamos como exemplo.

Se o deságio na venda for menor do que os ganhos recebidos em 6% a.a., valeu a pena tomar o risco, fazer a venda antecipada e sacar o dinheiro para investir em outro produto que agora te garante cobertura contra a inflação.

Como vocês podem ver, com bons ativos, o seu maior risco é o de perder oportunidades de rentabilidade. Fique sempre de olho nos prazos contratados. Avalie se a rentabilidade do produto está compatível com o cenário econômico e compare com outras opções. Em cenários de grande incerteza, o ideal é apostar em produtos de prazos menores e adequar a estratégia ao longo do tempo.

Capítulo 08

Prefixado ou Pós-fixado?

Já sabe por quanto tempo pode deixar seu dinheiro investido e quais riscos está disposto a correr? Então é hora de optar por um investimento prefixado, pós-fixado ou híbrido. Quando um título de dívida é prefixado significa que ele oferece uma rentabilidade previamente determinada no momento da aplicação. Logo, a rentabilidade bruta não irá mudar, desde que você respeite o prazo de resgate.

Um título pós-fixado, por sua vez, funciona na lógica inversa. Isso porque esses investimentos irão render de acordo com as variações do CDI. Assim, se você decidir investir em um CRI pós-fixado, a rentabilidade do seu investimento será a variação acumulada do CDI até o vencimento.

Já os títulos híbridos combinam as duas modalidades, oferecendo rentabilidade fixa acrescida da variação de um indexador. Logo, há nesta modalidade uma proteção contra mudanças na inflação e na taxa de juros. Existem títulos que rendem CDI + 3%, IPCA + 5% (híbridos), assim como existem os que rendem um percentual do CDI, como 133% do CDI (pós-fixado), por exemplo.

Prefixado: rendimento bruto de 5%, 7% ou 10% ao ano, por exemplo, de acordo com a taxa de juros determinada para o ativo. A rentabilidade é sempre fixa;

Pós-fixado: a rentabilidade bruta da aplicação será igual ao percentual do CDI contratado na data da aplicação (99% do CDI, 100% do CDI, 133% do CDI e por aí vai). A rentabilidade sempre varia conforme o indexador. Logo, se o CDI, por exemplo, acumular variação de 5% em um determinado ano (e se esse indicador estiver atrelado ao seu investimento) e você tiver uma rentabilidade contratada de 100% do CDI, o seu retorno bruto será de 5% naquele ano;

Híbrido: IPCA + 4% ao ano, por exemplo. Combina as duas formas de rentabilidade. Uma parte da rentabilidade é fixa e a outra acompanha um indexador.

IMPORTANTE: Tanto os prefixados quanto os pós-fixados – até mesmo os títulos públicos – têm volatilidade até o vencimento. Ou seja: você deve respeitar o prazo acordado na hora da compra. Se precisar retirar o seu dinheiro antes do vencimento, você receberá o que o mercado quer pagar de acordo com as expectativas econômicas (falamos disso acima no risco de oportunidade). Essa variação dos preços na renda fixa é conhecida como marcação a mercado.

A marcação a mercado consiste na atualização do valor de um produto pelo seu preço de mercado, ou seja, todo dia o preço muda. Basicamente, a marcação a mercado permite que você saiba quanto receberia hoje se vendesse um título. Portanto, os títulos de renda fixa que você tem na sua carteira são marcados a mercado. Isto é, o valor que você investiu neles é atualizado conforme o preço do título a cada dia.

Prefixado ou pós-fixado?

Prefixado

Prós: você sabe exatamente quanto irá render o seu dinheiro.

Contras: se a inflação ficar acima da taxa de juros da sua aplicação, o seu dinheiro será desvalorizado, ou seja, perderá o poder de compra.

Pós-fixado ou híbrido

Prós: você não sabe quanto o seu dinheiro irá render, mas tem uma clara noção e pode se proteger das mudanças na inflação.

Contras: se a inflação e a Selic ficarem em patamares baixos, você poderá perder a oportunidade de obter um rendimento melhor para o seu dinheiro.

Qual rentabilidade escolher?

Rentabilidade bruta: é quanto o seu dinheiro rende sem descontar os impostos (quando for o caso) e as taxas;

Rentabilidade líquida: é quanto o seu dinheiro rende já descontando os impostos (quando for o caso) e as taxas.

A rentabilidade líquida é o seu lucro de verdade, o poder de compra real do seu dinheiro após descontar taxas e impostos.

IMPORTANTE: na renda fixa, existem produtos que são isentos da cobrança de Imposto de Renda, tais como as debêntures incentivadas, os CRIs e CRAs, as LCIs e LCAs. Os dois últimos ativos, como já vimos, são também cobertos pelo FGC, os três primeiros não.

Quanto maior o prazo (vencimento) do seu título de renda fixa, menor será o Imposto de Renda pago. Entenda melhor observando a incidência de alíquotas sobre as aplicações na tabela regressiva de IR:

Tabela Regressiva do IR

Prazo da aplicação

Até 180 dias

181 a 360 dias

361 a 720 dias

+ de 720 dias

Alíquota de IR

22,5%

20%

17,5%

15%

Prazo da aplicação

Até 180 dias
De 181 a 360 dias
De 361 a 720 dias
Acima de 720 dias

Alíquota de IR

22,5%
20%
17,5%
15%

Capítulo 09

​​Importância dos vencimentos

O tempo que você deixa o seu capital alocado em um investimento, como vimos, impacta diretamente a exposição a riscos e, consequentemente, os juros que irão lhe pagar por essa exposição. Portanto, antes de investir, é fundamental saber por quanto tempo você deseja aplicar os seus recursos e qual a sua meta.

Esse raciocínio não se aplica à reserva de emergência, já que esta precisa ser investida em produtos com alta liquidez, ou seja, que possam ser convertidos em dinheiro com rapidez, e de baixa volatilidade, sem grandes riscos de perdas financeiras caso você precise sacar os recursos antes do vencimento.

Quem já tem a reserva pronta e alocada no Tesouro Selic ou em CDBs de liquidez diária pode partir para investimentos com vencimentos mais longos. A regra, nesse caso, é sempre comparar investimentos com o mesmo prazo. Não adianta, por exemplo, comparar um CDB de 730 dias com outro de 1.800 dias. Só é possível comparar ativos com o mesmo prazo, pois o efeito dos juros compostos é potencializado com o tempo.

Lembre-se do Imposto de Renda também. Ativos isentos de IR podem oferecer taxas mais baixas em relação aos não isentos e ainda assim ser mais atraentes. O que importa é a rentabilidade líquida.

Por isso, pergunte-se assim que entrar na plataforma de investimentos:

“Eu posso deixar esse dinheiro investido em um produto que irá me pagar uma % em juros durante X anos e, independentemente das expectativas econômicas, aguardar e respeitar o vencimento previamente acordado?”

Curto Prazo > Aplicações de até 2 anos;

Médio Prazo > Aplicações entre 2 e 5 anos;

Longo Prazo > Aplicações acima de 5 anos.

Quer entender melhor como comparar os prazos de forma correta? Em primeiro lugar, para investir na renda fixa, você precisa ter conta em uma corretora de valores.

Conclusão

A renda fixa tem ativos que se complementam. Você pode ter uma carteira de investimentos balanceada e rentável nesse segmento.

Na trilha para a independência financeira, adaptações são sempre necessárias e, como mostramos neste e-book, elas devem ser realizadas levando em conta as expectativas da inflação, os riscos (de crédito e de oportunidade) e, claro, como cada ativo pode nos ajudar a chegar mais perto dos nossos objetivos financeiros e metas de vida.

A renda fixa não vai morrer. Investidores que sabem o que querem conseguem escolher produtos com prazos e formas de rentabilidade capazes de garantir a tranquilidade, independentemente do cenário econômico.

IMPORTANTE: durante uma crise econômica e momentos de instabilidade, prefira títulos de curto prazo, até ter mais clareza sobre o cenário. Em meio a expectativas de alta dos preços, ou seja, num processo inflacionário, prefira títulos atrelados ao IPCA/IGP-M.

A renda fixa tem ativos que se complementam. Você pode ter uma carteira de investimentos balanceada e rentável nesse segmento.

Na trilha para a independência financeira, adaptações são sempre necessárias e, como mostramos neste e-book, elas devem ser realizadas levando em conta as expectativas da inflação, os riscos (de crédito e de oportunidade) e, claro, como cada ativo pode nos ajudar a chegar mais perto dos nossos objetivos financeiros e metas de vida.

A renda fixa não vai morrer. Investidores que sabem o que querem conseguem escolher produtos com prazos e formas de rentabilidade capazes de garantir a tranquilidade, independentemente do cenário econômico.

IMPORTANTE: durante uma crise econômica e momentos de instabilidade, prefira títulos de curto prazo, até ter mais clareza sobre o cenário. Em meio a expectativas de alta dos preços, ou seja, num processo inflacionário, prefira títulos atrelados ao IPCA/IGP-M.

Como eu disse no começo, você não vai ficar rico só investindo, mas uma base sólida e investimentos feitos com planejamento garantem que você esteja pronto para conquistar a sua independência financeira sem armadilhas.

Se for para acumular coisas, que sejam produtos financeiros. É melhor se arriscar e comprar produtos financeiros, e aprender praticando na corretora, do que delegar a terceiros os cuidados com o seu dinheiro. Dinheiro é um bichinho carente, quando você não cuida ele se atira nos braços de quem o faz. E sem dinheiro não há poder de decisão.

É assim que se compra independência financeira: faça dinheiro; gaste menos do que ganha; pague à vista; e invista a prazo todos os meses, com disciplina e frequência na sua liberdade. Gastar em coisas de que você não precisa e deixar tudo acumulando é uma estratégia pouco inteligente.

Lembre-se: investidor tranquilo é aquele que ganha dinheiro enquanto dorme. E um bom investimento é aquele que não descansa!

Francine Mendes é fundadora e CEO da plataforma de conteúdo, educação e marketplace Elas Que Lucrem (EQL). Economista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e especialista em educação financeira para mulheres, Francine possui mestrado em Psicanálise do Consumo pela Universidad Kennedy, referência em psicanálise na América Latina, e também é fundadora do primeiro clube de investimentos para mulheres de Santa Catarina, o EllaInvest. Atuou como assessora de investimentos entre 2005 e 2011 na Premium Invest e foi presidente do Instituto de Educação Financeira Premium Educação, de 2008 a 2010.

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